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Disque-denúncia já levou à prisão de 1.133 pessoas em 2008

Thiago Herdy - Estado de Minas
Quarta-feira 09 de julho de 2008

Euler Júnior/EM/D.A Press

Wenceslau Nassif Silva (d) atirou na ex-namorada e só foi parar na cadeia porque alguém usou o serviço e informou em que lugar ele estava escondido


O empenho da população em ajudar a combater a violência na Região Metropolitana de Belo Horizonte começa a render os primeiros resultados. Balanço do serviço Disque-Denúncia Unificado (181), divulgado na terça-feira, mostra que nos seis primeiros meses do ano informações passadas por moradores levaram à prisão de 1.133 pessoas, além da apreensão de 1.546 quilos de drogas, 282 armas de fogo e 12 mil munições. O desafio nos próximos meses é consolidar o serviço e diminuir o número de trotes e de ligações que não têm relação com a natureza do programa. No período analisado, a cada 21 chamadas recebidas apenas uma continha informações úteis à polícia e aos bombeiros: foram 552 mil ligações e 25,9 mil denúncias encaminhadas para investigação.

“Esse percentual de aproveitamento era esperado. As pessoas ligam com demandas distintas, como serviços de emergência, dúvidas sobre procedimentos e informações para o disque-direitos humanos”, explica o coordenador do programa, Aaron Duarte Dalla. Segundo ele, a introdução de uma mensagem eletrônica na abertura das ligações, em abril, reduziu o número de chamadas equivocadas. Agora, depois de ouvir uma das frases que melhor traduzem o sucesso do serviço – “não se identifique, pois o importante é o que você diz, não quem você é” –, o ouvinte que busca serviços de urgência, em vez de fazer denúncia, é orientado a discar o 190 da Polícia Militar, 193 dos bombeiros ou o 197 da Polícia Civil.

“A polícia elogia muito o programa, pois os dados passados pela população melhoram a qualidade da informação à disposição dos serviços de inteligência”, afirma Dalla. Foi uma denúncia ao 181 que levou a Polícia Militar a descobrir 1,5 tonelada de maconha em um sítio com casa simples, mas luxuosa área de lazer, em Jaboticatubas, na Região Norte da Grande BH, em 15 de junho. Escondidos por muros de mais de cinco metros de altura e protegidos por cães pit-bull, traficantes armazenavam a droga e a distribuíam em pontos de comercialização de cidades vizinhas. Nove pessoas foram presas, entre elas Adriano Bragança Miranda, de 30 anos, que fazia parte do Conselho de Segurança do Fórum de Contagem e é acusado de ser um dos chefes da quadrilha. Ele vestia uniforme da Justiça quando foi detido. Na ação, militares apreenderam um carro, cinco motos e dinheiro.

Veja reportagem da TV Alterosa

 



Um mês antes, um telefonema ao 181 levou a polícia a prender o desempregado Rodrigo Wenceslau Nassif Silva, de 31 anos, cinco dias depois de ele ter tentado matar a ex-namorada com com três tiros na cabeça e no peito, no Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH), no Bairro Estoril, na Região Oeste da capital. O denunciante informou que o homem estava internado em uma clínica particular para dependentes químicos ou com distúrbios mentais, em Vespasiano, também na Grande BH. Nassif foi preso por uma equipe da Patrulha Unificada Móvel de Apoio (Puma), da Polícia Civil, que o caçava com um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça.

Dados do serviço foram úteis também ao Corpo de Bombeiros, que interditou um supermercado no Bairro Céu Azul, na Região Norte da capital, graças ao telefonema de um morador, informando que as abaladas estruturas do primeiro pavimento e do subsolo poderiam desabar. Os militares fizeram uma vistoria e constataram o comprometimento das vigas, causado pelo excesso de mercadorias armazenadas no térreo. O acesso ao estabelecimento só foi liberado depois do escoramento das estruturas.

Interior

Na terça-feira, durante a divulgação do balanço, a superintendente de integração do sistema de Defesa Social, Geórgia Ribeiro Rocha, reafirmou o desejo da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) expandir o Disque 181 a cinco municípios do interior com mais de 250 mil moradores. Quatro deles tiveram aumentos expressivos nas taxas de assassinatos por 100 mil habitantes nos últimos dois anos: Juiz de Fora (126%), na Zona da Mata; Montes Claros (55,4%), no Norte de Minas; Uberlândia (12%) e Uberaba (57,8%), no Triângulo Mineiro. A exceção seria Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, que, nos últimos dois anos, comemorou uma queda de 20% nos homicídios. Segundo Rocha, o projeto de expansão fica pronto até o fim do ano.

O 181 é resultado de parceria firmada em 2007, entre a Seds e o Instituto Minas pela Paz, organização mantida pelas 30 maiores empresas do estado e pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). As ligações são gratuitas e não identificam o número do telefone usado para fazer a chamada. O mecanismo garante o sigilo do denunciante, que recebe uma senha para saber o resultado das investigações depois de 90 dias. O serviço é tocado por 60 funcionários públicos e funciona 24 horas. "
UAI - 09 de julho de 2008

E, isso foi até o meio do ano.  Até dezembro, o número deve ter dobrado.      

DISQUE DENÚNCIA: 181

 

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