O empenho da população em ajudar a combater a violência na
Região Metropolitana de Belo Horizonte começa a render os
primeiros resultados. Balanço do serviço Disque-Denúncia
Unificado (181), divulgado na terça-feira, mostra que nos
seis primeiros meses do ano informações passadas por
moradores levaram à prisão de 1.133 pessoas, além da
apreensão de 1.546 quilos de drogas, 282 armas de fogo e 12
mil munições. O desafio nos próximos meses é consolidar o
serviço e diminuir o número de trotes e de ligações que não
têm relação com a natureza do programa. No período
analisado, a cada 21 chamadas recebidas apenas uma continha
informações úteis à polícia e aos bombeiros: foram 552 mil
ligações e 25,9 mil denúncias encaminhadas para
investigação.
“Esse percentual de aproveitamento era esperado. As pessoas
ligam com demandas distintas, como serviços de emergência,
dúvidas sobre procedimentos e informações para o
disque-direitos humanos”, explica o coordenador do programa,
Aaron Duarte Dalla. Segundo ele, a introdução de uma
mensagem eletrônica na abertura das ligações, em abril,
reduziu o número de chamadas equivocadas. Agora, depois de
ouvir uma das frases que melhor traduzem o sucesso do
serviço – “não se identifique, pois o importante é o que
você diz, não quem você é” –, o ouvinte que busca serviços
de urgência, em vez de fazer denúncia, é orientado a discar
o 190 da Polícia Militar, 193 dos bombeiros ou o 197 da
Polícia Civil.
“A polícia elogia muito o programa, pois os dados passados
pela população melhoram a qualidade da informação à
disposição dos serviços de inteligência”, afirma Dalla. Foi
uma denúncia ao 181 que levou a Polícia Militar a descobrir
1,5 tonelada de maconha em um sítio com casa simples, mas
luxuosa área de lazer, em Jaboticatubas, na Região Norte da
Grande BH, em 15 de junho. Escondidos por muros de mais de
cinco metros de altura e protegidos por cães pit-bull,
traficantes armazenavam a droga e a distribuíam em pontos de
comercialização de cidades vizinhas. Nove pessoas foram
presas, entre elas Adriano Bragança Miranda, de 30 anos, que
fazia parte do Conselho de Segurança do Fórum de Contagem e
é acusado de ser um dos chefes da quadrilha. Ele vestia
uniforme da Justiça quando foi detido. Na ação, militares
apreenderam um carro, cinco motos e dinheiro.
Veja reportagem da TV Alterosa
Um mês antes, um telefonema ao 181 levou a polícia a prender
o desempregado Rodrigo Wenceslau Nassif Silva, de 31 anos,
cinco dias depois de ele ter tentado matar a ex-namorada com
com três tiros na cabeça e no peito, no Centro Universitário
de Belo Horizonte (UNI-BH), no Bairro Estoril, na Região
Oeste da capital. O denunciante informou que o homem estava
internado em uma clínica particular para dependentes
químicos ou com distúrbios mentais, em Vespasiano, também na
Grande BH. Nassif foi preso por uma equipe da Patrulha
Unificada Móvel de Apoio (Puma), da Polícia Civil, que o
caçava com um mandado de prisão preventiva expedido pela
Justiça.
Dados do serviço foram úteis também ao Corpo de Bombeiros,
que interditou um supermercado no Bairro Céu Azul, na Região
Norte da capital, graças ao telefonema de um morador,
informando que as abaladas estruturas do primeiro pavimento
e do subsolo poderiam desabar. Os militares fizeram uma
vistoria e constataram o comprometimento das vigas, causado
pelo excesso de mercadorias armazenadas no térreo. O acesso
ao estabelecimento só foi liberado depois do escoramento das
estruturas.
Interior
Na terça-feira, durante a divulgação do balanço, a
superintendente de integração do sistema de Defesa Social,
Geórgia Ribeiro Rocha, reafirmou o desejo da Secretaria de
Estado de Defesa Social (Seds) expandir o Disque 181 a cinco
municípios do interior com mais de 250 mil moradores. Quatro
deles tiveram aumentos expressivos nas taxas de assassinatos
por 100 mil habitantes nos últimos dois anos: Juiz de Fora
(126%), na Zona da Mata; Montes Claros (55,4%), no Norte de
Minas; Uberlândia (12%) e Uberaba (57,8%), no Triângulo
Mineiro. A exceção seria Governador Valadares, no Vale do
Rio Doce, que, nos últimos dois anos, comemorou uma queda de
20% nos homicídios. Segundo Rocha, o projeto de expansão
fica pronto até o fim do ano.
O 181 é resultado de parceria firmada em 2007, entre a Seds
e o Instituto Minas pela Paz, organização mantida pelas 30
maiores empresas do estado e pelo Sistema Federação das
Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). As ligações
são gratuitas e não identificam o número do telefone usado
para fazer a chamada. O mecanismo garante o sigilo do
denunciante, que recebe uma senha para saber o resultado das
investigações depois de 90 dias. O serviço é tocado por 60
funcionários públicos e funciona 24 horas. "
UAI
- 09 de julho de 2008
E, isso foi até o meio do ano. Até dezembro, o número
deve ter dobrado.
DISQUE DENÚNCIA: 181